terça-feira, 27 de setembro de 2011

Em defesa de meus amigos queridos

Nesta postagem eu publico a carta que foi dirigida às autoridades da UERJ pedindo, pelos meios legais, medidas contra o incidente ocorrido na formatura da turma 2006 de História e levado a cabo por alguns alunos que fazem parte do CAHIS.

Os alunos do curso de história ingressantes 2006.1, em face dos representantes estudantis do Centro Acadêmico de História Carolyna Barroca, César Alves da Silva Filho, Fernando Guimarães Pimentel, Gabriel Pinheiro de Siqueira Gomes(membro titular do corpo discente do conselho superior de ensino e pesquisa) e Jefferson Ênio Prado Clarindo, trazem na presente carta de representação o desejo que se tomem medidas administrativas que as autoridades da Universidade do Estado do Rio de Janeiro julguem convenientes  ao tomar conhecimento dos fatos a seguir relatados.
No dia 09 de setembro de 2011 ocorreu na capela ecumênica o Evento de Formatura dos alunos do curso de História da turma 2006.1.
Tal cerimônia planejada com 24 meses de antecedência e esperada com grande expectativa por alunos, familiares, amigos e professores, foi prejudicada por atitudes dos representantes do CAHIS, já identificados, por causarem grandes transtornos, constrangimentos e mal estar a todos os presentes na referida cerimônia.
Por vários momentos a nossa solenidade foi interrompida por vaias, gritos e esbravejos dos representantes do CAHIS, desestabilizando o desenvolvimento de nossa cerimônia e ofuscando todo o contentamento de familiares ali presentes para nos prestigiar.
A professora Márcia de Almeida Gonçalves, sub- chefe do departamento de história e eleita com muito apreço paraninfa da turma, passou pelo constrangimento de ler seu discurso sobre vaias do e gritos dos referidos alunos que fazem parte do CAHIS.
Gostaríamos de ressaltar que nenhum integrante do CAHIS faz parte de nossa turma, não participaram do processo de organização da cerimônia, mas mesmo assim, movidos por questões pessoais e políticas fizeram de nossa formatura cenário para atuação de situações constrangedoras e vexatórias, nos envergonhando junto a familiares e amigos quanto à postura dos então alunos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, o que nos deixa temerosos quanto à concepção que a comunidade ali presente atribui a nossa imponente universidade a partir daquele momento.
A agitação dos representantes do CAHIS ressoou negativamente em todos. Planejamos nossa cerimônia para prestar uma homenagem às pessoas que mais nos ajudaram e incentivaram em nossa jornada e também para celebrar nosso próprio esforço. Tudo isso foi totalmente impedido pelas atitudes deploráveis dos representantes do CAHIS.
A atual direção do CAHIS não considerou que a presença de pais , mães e amigos era única e exclusivamente para para festejar conosco o alcance de uma vitória. Num ato de total desrespeito distribuiu panfletos para todos os convidados da platéia contendo texto que subestima todos os alunos e atribuem um enorme descrédito a professores e à própria instituição.
Consideramos audaciosa a atitude dos representantes estudantis do CAHIS, Carolyna Barroca e César Alves da Silva Filho ao interromperem a atenção dos convidados da solenidade para distribuir panfletos, levando os convidados a se atentarem ao texto, que de forma ostensiva, agride moralmente formandos, familiares e professores.
O texto relata aos ali presentes que aquele era um "momento de mudança de status social". Pois, "muitos daqui passarão de estudantes a desempregados".
O  mesmo texto, distribuído pelos integrantes do CAHIS em forma de panfleto, nos provoca injúria e nos ridiculariza pelo simples fato de usarmos uma beca, que segundo o aluno formando e autor do texto, Pedro Guimarães Pimentel, o jabour de nossas becas serve "o máximo para aparar nossas caras de tacho boquiabertas com o mundo lá fora, porque com o daqui de dentro já nem mais nos assustamos".
De forma humilhante o texto panfletado pelos representantes do CAHIS atribui a nossa formação todo um descrédito ao  dizer"cada pai e cada mãe sentados  aí me ouvindo criaram expectativas e acreditaram que seus filhos e filhas seriam alguém na vida depois de formados".
É depreciativa a conclusão que faz sobre os formandos ali presentes, sobre os professores e sobre a própria instituição ao afirmar que" nossa formação enquanto historiadores é tão ruim que não demos conta  nem de historicizar a prática  social que é a nossa própria formatura".
O texto distribuído em forma de panfleto pelos representantes do CAHIS foi redigido para ser um discurso de orador. Porém, dos 24 formando, além do autor, apenas 4 se manifestaram a favor da leitura do texto. Os demais alunos se colocaram contrários por julgarem as passagens do texto acima destacadas não só inapropriadas para a ocasião, mas ofensivas.
Irredutível, o aluno Pedro Guimarães Pimentel não atendeu o pedido da maioria da turma, nos informando por e-mail que não mudaria uma linha do seu discurso. Por esta postura, em reunião ocorrida no dia 23 de agosto de 2011 foi democraticamente destituído da condição de orador por entendermos que o texto do orador tem por objetivo rememorar bons momentos dos formandos no decorrer de sua vida acadêmica, não estando isento da possibilidade de se fazer críticas construtivas e reflexivas a cerca de nossa realidade. 
Sentindo-se preterido, inconformado e por uma questão de ego, articulou junto ao CAHIS a lamentável desordem em nossa cerimônia de formatura. Por não ter sido aceito pela maioria da turma  o panfleto distribuído pelos representantes do CAHIS recebe, erroneamente, o título de "discurso de formatura censurado".
Consideramos o título de censores a nós atribuído muito ofensivo e agressivo. Primeiro porque não condiz com a realidade dos fatos. O texto foi discutido, debatido e dentro dos preceitos democráticos, substituído. Segundo porque nos remete ao regime ditatorial militar pelo qual passou nosso país e de suas respectivas atrocidades. Ao colocar um trecho da música Cálice de Chico Buarque de Holanda no panfleto, num ato acintoso, nos comparam de forma explícita com censores da ditadura militar brasileira e de forma injuriosa  nos colocam como cidadãos contrários à liberdade de expressão.
Com a situação completamente incontrolável, a intervenção de agentes de segurança da UERJ foi solicitada por duas vezes por convidados, conforme ocorrência registrada no livro do setor se segurança. Porem, quando os seguranças se ausentavam toda a desordem continuava.
Toda a manifestação realizada por integrantes do CAHIS dentro de nossa cerimônia fez com que o andamento da solenidade fosse comprometido. Os apresentadores ficaram emocionalmente abalados e uma desarmonia foi visível entre a platéia, que ao pedir silêncio e respeito aos que orquestravam o esbravejo  foram ignorados e alguns até mesmo insultados.
Sob argumentos de que a Universidade é Pública, do direito á liberdade de expressão e de estarem ali na condição de convidados do formando Pedro Guimarães Pimentel os representantes do CAHIS nos atrapalharam do começo ao fim da solenidade.
Argumentos que consideramos carregar conceitos deturpados de Espaço Público e Liberdade de Expressão. A Universidade é Pública, mas o evento era destinado a familiares e amigos. E para sua execução, houve investimentos financeiros dos formandos através da contratação da empresa Quarto Grau Formaturas sob o contrato 011-09. A Liberdade de Expressão é ilegítima quando se destina a difamar, injuriar, ofender pessoas e perturbar toda a paz e tranquilidade pública. E se estavam presentes na condição de convidados, não se comportaram como tal.
Os alunos Gabriel Pinheiro de Siqueira Gomes e Fernando Guimarães Pimentel divulgaram, em tom de van glória, em sites de relacionamento o que deploravelmente realizaram e nossa cerimônia de formatura. Como pode ser verificado no site de relacionamento Facebook link's  http://www.facebook.com/profile.php?id=1692500545&sk=wall e http://www.facebook.com/note.php?note_id=164268840321823.

Por fim nosso evento foi desprestigiado pelas atitudes dos representantes do CAHIS, que atingiram a celebração de um momento tão importante para todos os formandos, amigos e familiares ali presentes. Cerimônia esta que, sentimos a necessidade de ressaltar, foi feita com muito esforço. Cada alunos ali presente tinha um motivo singular para comemorar. O que era almejado durante os vinte e quatro meses de planejamento da então esperada cerimônia era celebrar a vitória junto a nossos familiares por termos conseguindo ingressar e concluir um curso de nível superior em uma das universidades mais importantes do nosso país.
Cada aluno poderia relatar com muita tristeza como se sente ao ver, depois de tanta luta, o fechamento de uma etapa da vida acadêmica caracterizada por humilhações e depreciações. Numa sociedade onde o título de nível superior é diferencial apenas de um grupo muito restrito da população, muitos aqui, sentem-se honrados em contrariar algumas estatísticas ao conseguirem um diploma de nível superior em uma universidade pública.
Nos sentimos desmoralizados diante das atitudes dos representantes do CAHIS e por termos nossos direitos abalados e violados por Carolyna Barroca, César Alves da Silva Filho, Fernando Guimarães Pimentel, Gabriel Pinheiro de Siqueira Gomes (também membro do Conselho Superior de Ensino e Pesquisa) e Jefferson Ênio Prado Clarindo, consideramos que é direito apontarmos inapropriadas as práticas relatadas acima pois, conforme o Regimento Interno da UERJ Sessão VI Capítulo VIII : Do corpo discente artigo 83:

Parágrafo terceiro: Além de outros deveres e proibições constantes do código disciplinar, será vedado ao aluno exercício de atividade político-partidária ou a prática de atos incompatíveis com a ordem pública em recinto da UEG ou em suas vizinhanças. 

Consideramos também que os referidos alunos não apresentam comportamento devidamente ético para no representar em órgão de colegiados da UERJ e por não agirem em conformidade com seus objetivos que, segundo Estatuto da UERJ Sessão III: Do Corpo Discente Artigo 30:

Parágrafo primeiro: A representação estudantil terá por objetivo promover a cooperação no âmbito da comunidade e o aprimoramento da instituição vedadas atividades de natureza político-partidária.

Por todo o exposto requeremos:

1 - O afastamento do Centro Acadêmico de História os alunos Carolyna Barroca, César Alves da Silva Filho, Fernando Guimarães Pimentel, Gabriel Pinheiro de Siqueira Gomes e Jefferson Ênio Prado Clarindo. Que nosso requerimento considere o Regimento Geral da UERJ Sessão VI Capítulo VIII: Corpo Discente Artigo 86 ao rezar que:

Parágrafo segundo - Perderá o mandato, mediante processo, com garantia de defesa, o representante estudantil QUE VIOLAR OS DEVERES INERENTES A REPRESENTAÇÃO, na conformidade do Regimento Interno da unidade ou colegiado, ou ainda, valer-se do mandato em favor de atividade político-partidária, ou EM DETRIMENTO DA ORDEM PÚBLICA E DA PAZ SOCIAL.

2 - O afastamento do Centro Acadêmico de História e de representação como membro titular do corpo discente no Conselho Superior de Ensino e Pesquisa o aluno Gabriel Pinheiro de Siqueira Gomes por esperarmos de um representante uma conduta ética e por sua conduta não condizer com o reza o já citado Artigo 86 parágrafo segundo do Regimento Interno da UERJ e por não condizer também com a postura de um membro de órgão superior da UERJ conforme enumera o Regimento Geral da UERJ no Capítulo IV sessão I artigo 9º alínea c.

Art. 9º - São órgãos superiores da UEG
a) a Reitoria
b) o Conselho Universitário
c) o Conselho Superior de Ensino e Pesquisa
d) o Conselho de Curadores
e) a Assembléia Universitária

Tememos que fique comprometida a qualidade da nossa representação enquanto estudantes e própria imagem da Instituição ao ter como representantes em seus órgãos superiores, um aluno com titularidade para representar os estudantes, que ao envés de fazê-la dentro de suas atribuições competentes do Regime Interno, protagoniza e promove eventos perturbadores da paz e tranquilidade pública.

3 - A verificação da legitimidade de representação estudantil do aluno Gabriel Pinheiro de Siqueira Gomes por ter duas representações estudantis com mandatos concomitantes. É membro titular do corpo discente do Centro Setorial de Ciências Sociais do Conselho Superior de Ensino e Pesquisa e é representante estudantil no Centro Acadêmico de História. Pois, conforme Estatuto da UERJ Artigo 29 parágrafo 1º alínea b.

Art. 29 - O corpo discente terá representação, com direito à voz e voto, nos órgãos colegiados da UERJ.
Parágrafo 1º - São órgãos de representação estudantil
a) Diretório Central dos Estudantes - DCE
b) Centros acadêmicos de unidades universitárias
Portanto, conforme Capítulo V Seção III artigo 28 parágrafo 3º do Estatuto da UERJ.

Art. 28 - Os representantes estudantis do Conselho Universitário, no Conselho Superior de Ensino Pesquisa e nos colegiados das unidades universitárias serão indicados em conformidade com o disposto na legislação específica, no Regimento Geral e nos mandamentos universitários,vedada a participação do mesmo representante em mais de um órgão.

4 - Retratação em edição completa do Jornal do CAHIS, Mural do CAHIS, na Abertura da Semana de História e demais meios de comunicação da UERJ que as autoridades à quais de se destinam esse texto, julgar pertinente. Retratação com texto elucidativo, claro e sem conotações com conhecimentos de que a Cerimônia de Formatura dos alunos do curso de História 2006.1 foi indevidamente utilizada para contestações, panfletagem e interesses pessoais e/ou políticos do CAHIS. Reconhecimento de que acusaram injustamente a turma de História 2006.1 formandos 2010.2 de censores, visto que os preceitos democráticos sempre imperaram em todo o processo nas escolhas de participantes da solenidade.

5 - Direito aos formandos da turma de História ingressantes em 2006.1/formandos 2010.2 de explanarem suas concepções também em edição completa do Jornal do CAHIS, Mural do CAHIS e na Abertura da Semana de História com intuito de recuperarmos nossa auto-estima, visto que fomos adjetivados de incapacitados intelectualmente e com o intuito também de levarmos ao conhecimento dos estudantes de história as atitudes dos alunos membros do CAHIS que deveriam representas os anseios de todos os estudantes daquele curso.

6 - E demais medidas que o Magnífico Reitor e demais autoridades as quais de destinam esse texto julgarem convenientes.

Segue em anexo o texto do aluno Pedro Guimarães Pimentel.

Este é  um momento único. De mudança de status social. Muitos daqui passarão de estudantes a desempregados. Outros já eram trabalhadores, aliaram-se aos estudos e nunca mais o abandonarão, mesmo que numa nova profissão. Somos formados educadores, mas poucos realmente seremos. Seja porque desistiremos no meio do caminho, seja porque não há emprego para todo mundo; ou ainda porque escolheram a História como caminho para um concurso público. Não há demérito nenhum nisso tudo. Mas e aí? E tudo que aprendemos? Será útil, aplicado? Será mesmo que aprendemos algo que seja útil, que possa ser aplicado? Esta reflexão que ora proponho para todos nós, vocês aí sentados na platéia, meus colegas formandos, professores da casa - recém-classificados como nossos colegas de profissão - deveria ter sido feita ao longo de toda a faculdade, ao longo de todo processo de escolarização.
      Garanto, não foi feita a contento. Não, de maneira nenhuma. Por mais sobre-humano e meteórico que tenha sido o esforço de cada mestre que ao nosso lado senta e aqueles que não vieram. A culpa não foi de vocês (pelo menos não de todos!). Se tivesse sido feita, não estaríamos aqui nesta noite, nesses trajes. Não estaríamos recebendo nosso anel de doutor, vestindo beca, tirando fotos no Theatro Municipal, fotos sentadas em tronos de madeira nobre, enfileirados com sorriso preso, e outras tantos descompassos. Demorei mas descobri o nome: jabour. Este babador que está em nossos peitos serve ao máximo para aparar nossas caras de tacho boquiabertas com o mundo lá fora, porque como daqui de dentro já nem mais nos assustamos.
      Nossa formação enquanto historiadores é tão ruim, mas tão ruim, que não demos conta nem de historicizar a prática social que é  a nossa própria formatura. E aqui a reproduzimos, exatamente como se fôssemos bacharéis de anel de ouro. Cada pai e cada mãe sentados aí me ouvindo criaram expectativas e acreditaram que seus filhos e filhas seriam alguém depois de formados. E aí, o que seremos? Fiquem tranquilos que não irei falar da História da Educação Brasileira, em especial de nossas Universidades, mas irei perguntar para cada um que está sentado: “E aí, o que você vai ensinar para o teu aluno?” E não me refiro somente aos conteúdos de História, mas aos da estrutura da nossa sociedade. O que vamos dizer? O que vamos compartilhar com o sem número de crianças, jovens, adultos e mesmo idosos com quem nos depararemos ao longo de nossa carreira (se não desistirmos antes, ficarmos malucos ou depressivos)? Vamos ajudá-los a construir um pensamento crítico e questionador de nossa sociedade, ou apenas encaminhá-los para que se adaptem a ela?
Os dias de hoje, mais exageradamente do que os de ontem, são mestres e doutores em produzir sonhos. E com a mesma força e destreza os desmancham, igualando com cores fúnebres expectativa e decepção. A Universidade, tal como a temos e a reproduzimos, produz, em nível superior, todas as esperanças depositadas na formação profissional e logo em seguida, para uma porcentagem elevada de seus egressos, devolve a dureza do dia-a-dia. O gênio brasileiro Darcy Ribeiro ao referir-se sobre os estudantes universitários, dizia: "eles bem sabem que, quando diplomados, também serão aquietados pelo poder disciplinador do trabalho e da fadiga; dissuadidos de seus próprios ideais pelas responsabilidades de família e pelos deveres de compostura profissional; e degradados pela ferocidade da competição econômica em que terão de mergulhar e pela qual serão, afinal, convertidos em tranquilos guardiães da ordem."
Também não  é possível que, ao final de nosso curso, tenhamos a convicção de que por sermos professores transformaremos o mundo. Não é a profissão que nos torna veículo da mudança social. O piano que querem colocar nas nossas costas jamais o suportaremos; não temos forças para carregá-lo sozinho... Na verdade, muito do que responsabiliza o professor pelo futuro do Brasil é intencionalmente divulgado para que fiquemos loucos com o nosso fracasso, envelheçamos cedo, ou nos tornemos conservadores na primeira possibilidade de dizer: "não vai dar em nada mesmo!" Esquecem-se de nos contar (e ao resto da sociedade) que o professor e o aluno são a ponta do iceberg de um sistema autofágico e que nossa posição contra-hegemônica (quando houver uma) se advém, antes de mais nada, pela manutenção do "direito de sonhar", como diria Galeano.
Seria bonito né?! Se eu estivesse aqui rememorando cada aula, dando aquele incentivo para as nossas profissões ou agradecendo aos céus pela oportunidade de ter cursado a Universidade. Nada disso, nada disso. Cada um de vocês, companheiros de História, sabem como vieram parar aqui, as dificuldades que tiveram de enfrentar para chegar até o fim, bem como tem a certeza do que farão depois de hoje. A glorificação da vitória individual, do talento, do esforço ou do mérito, em nossa sociedade, só serve para ratificar que a maioria esmagadora (e esmagada) ficou de fora dessas paredes (e de fora de muitas outras paredes imprescindíveis para a própria sobrevivência). Se isto fosse um réquiem, dedicaria um minuto de silêncio, mas como é um desabafo - em tom panfletário - sugiro uma vida inteira de luta. Contextualizando Florestan Fernandes: "Ou os professores (e historiadores) se identificam com o destino do seu povo, com ele sofrendo a mesma luta, ou se dissociam do seu povo, e nesse caso, serão aliados daqueles que exploram o povo".